Blog EntryDeus me protegeu mas e a polícia?Sep 17, '06 3:51 AM
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|11 de setembro de 2006 | Segunda-feira |

Adoro colocar uma pitada de humor nos meus posts mas dessa vez a coisa foi séria...

Na segunda-feira de uma semana que já prometia ser bem corrida pelo excesso de compromissos, pela terceira vez em menos de um mês, aconteceu uma coisa esquisita comigo. Achei que isso merecia ser pensado por mim e por quem lê meu blogenda.

Bom, vamos começar do começo...

A primeira situação inusitada foi quando eu estava voltando do trabalho com a Manu. Vínhamos conversando sobre roubos, assalto, violência e eu resolvi pegar um caminho na Gávea que eu odeio mas que naquele dia, apresentava melhores condições. Ela ainda me perguntou porque eu nunca ia por ali se aparentemente era melhor e eu expliquei que achava meio perigoso.

Eu estava na pista da direita e eis que de repente, passam dois caras, pelo meu lado, numa moto e olham para dentro do meu carro como se procurassem alguma coisa. Como meu insulfilm é muito preto e estava de noite, eles não conseguiram enxergar nada e decidiram então, olhar para o carro que estava na pista da esquerda. Infelizmente a moça, apesar de dirigir com as janelas fechadas, estava com a sua bolsa em cima do banco do carona e o carro dela não tinha qualquer película de proteção nos vidros. Em questão de segundos os caras deram um murro na janela dela, quebraram tudo e levaram a bolsa. Eles sumiram sem deixar qualquer rastro. Fui até a minha casa agradecendo a Deus porque não tinha me acontecido nada.

Segunda situação estranha: novamente voltando do trabalho com a Manu, dessa vez no engarrafamento do tunel Dois Irmãos. Meu telefone toca. Era o Adilson. Começamos a bater papo. De repente, ouço uns estouros. Ele também ouviu. Eu pedi que ele esperasse um pouco porque eu precisava entender melhor o que estava acontecendo. Eram tiros. Expliquei pra ele muito rapidamente e desliguei. Olhei pelo retrovisor e vi duas motos vindo na minha direção. Eles atiravam como se as armas fossem de brinquedo. Abaixei a cabeça e comecei a rezar. Manu chorava compulsivamente. Os caras passaram pelo meu lado esquerdo largando o dedo, vi muito de perto. Rezei, rezei, rezei...

Terceira situação: segunda-feira, trânsito impraticável na hora de ir pro trabalho. Mais ou menos dez da manhã eu passava pela Avenida Atlântica, em Copacabana. Tinha um carro branco na minha frente e um vermelho atrás. Tudo completamente parado. Eis que sai um homem vestido de roupa comum do carro da frente e começa a gritar várias vezes e cada vez mais alto: "Encosta e sai do carro! Encosta e sai do carro! Encosta e sai do carro!"

Eu demorei a perceber que aquilo não era comigo e já estava até tirando o cinto de segurança porque achei que fosse um assalto. Foi quando me dei conta de que estavam saindo vários caras enormes e mal-encarados de dentro do carro vermelho que estava trás de mim e o cara do carro da frente era, na verdade, um policial disfarçado. Os do carro vermelho eram bandidos e também estavam armados. Começou a surgir policiais de tudo que era lado. Os caras ficaram encurralados e resolveram deixar as armas no chão sem reagir e colocar as mãos pra cima para serem revistados.

O trânsito continuava parado e eu ali, no meio da confusão.

Morri de medo que começasse um tiroteio porque, com certeza, eu seria a primeira atingida. Meu carro era a única coisa que separava polícia e ladrão. Sem exagero algum, comecei a me despedir da vida agradecendo a Deus por todas as coisas maravilhosas que Ele me possibilitou até hoje. Aí, percebi que os carros das pistas laterais começaram a andar e eu não tinha como sair porque o carro da polícia estava abandonado na minha frente, atrapalhando a passagem. Eu só rezava, mais nada... Tive a certeza de que Deus me ouviu quando uma boa criatura que vinha pela pista da esquerda parou e me esperou manobrar para sair do meio da confusão.

Bom, tenho muita certeza de que foi Deus quem cuidou de mim e não os policiais. Mas será que eu não deveria poder contar com a polícia também? Cadê o "Servir e Proteger"? Me senti desprotegida demais enquanto tudo aquilo acontecia. E eu, que nunca tive medo de digirir, sozinha ou acompanhada, em qualquer lugar do Rio e em qualquer horário, comecei a me precaver depois dessas 3 situações: me visto de homem quando dirijo à noite, não abro nem um dedo da minha janela, deixo minhas bolsas na mala do carro e o celular entre as minhas pernas, não compro nada nos sinais... muitas vezes nem páro nos sinais. 

Sinceramente, sem querer dar uma de "papo-cabeça" mas entendendo que alguma coisa em relação à segurança precisa ser feita, será que tá certo eu mudar meus hábitos por causa da violência ou podemos aproveitar que as eleições estão aí pra repensar nossos votos? O pipoqueiro da esquina e o tio do irmão do cunhado do primo do amigo da sua vizinha vão ter condições de fazer alguma coisa pela sua proteção?

Minha mãe quase teve um troço quando eu contei isso pra ela. Meu pai não quer mais que eu volte tarde pra casa, prefere que eu durma na casa de alguém e volte no dia seguinte de manhã a me deixar dirigindo sozinha por aí...

E se fosse seu filho???

Você já decidiu em quem vai votar?

(Esse post refere-se ao dia 11 de setembro, apesar da data da postagem)


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